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Trabalho flexível: os desafios e benefícios dessa tendência

O trabalho flexível vai muito além de apenas flexibilizar o horário e dar ao profissional a liberdade de gerenciar a própria rotina. Há uma conexão direta com a cultura organizacional e a mudança de mentalidade sobre o cumprimento da carga horária e a produtividade.


Tanto as empresas quanto as pessoas cada vez mais se interessam pela flexibilidade no trabalho considerando os benefícios dessa prática. Passada a pandemia, o mundo já não é mais o mesmo e isso inclui a necessidade de estabelecer um equilíbrio entre trabalho e vida.


Nossa pesquisa “O Trabalho Ideal” mostrou que, dentre as práticas consideradas mais importantes em um ambiente de trabalho, horário flexível e anywhere office ocupam os primeiros lugares!


Ou seja, está mais do que na hora de as empresas começarem a avaliar formas de adaptar suas políticas e oferecer oportunidades mais atrativas e flexíveis.


O conceito de trabalho flexível

De forma resumida é a modalidade de trabalho que dá ao colaborador autonomia e liberdade para escolher o horário e de onde deseja trabalhar. No entanto, o conceito é mais amplo, pois abrange uma série de possibilidades que envolvem o autogerenciamento, o uso de ferramentas tecnológicas e resultados.


A legislação trabalhista prevê que os funcionários contratados sob o regime CLT (carteira assinada) devem cumprir uma jornada de 8 horas diárias ou 44 horas semanais. Como não existem regras pré-determinadas sobre o início e término ou local específicos para se cumprir a carga horária, a própria lei abre precedentes para o trabalho flexível.


Os principais desafios da flexibilidade no trabalho

Com o amparo legal e experiência vivenciada durante o período de isolamento, o que era tendência se tornou realidade e vem ditando o caminho do futuro. Em relatório recente, elaborado e publicado pela Organização do Trabalho (OIT) há uma análise sobre o tempo de trabalho.


Intitulado Working Time and Work-Life Balance Around the World, o estudo traça um importante paralelo entre a dedicação ao trabalho e qualidade de vida. De modo geral, as pessoas já não querem mais passar horas a fio trancadas em escritórios, dedicadas ao trabalho, sem tempo para a família.


Entretanto, isso não quer dizer que os profissionais estão menos comprometidos com seu desempenho e sua carreira, mas convictos de que é possível conciliar esses dois setores importantes da existência humana.


Se de um lado o colaborador pode gerenciar suas horas, acordar os prazos de entrega e trabalhar home office, por exemplo, de outro, a liderança deve estar preparada para gerenciar à distância, o que inclui estabelecer uma relação de confiança e independência, já que não consegue acompanhar o trabalho do time de perto, fisicamente falando.


A ideia de ter flexibilidade de horário e local de trabalho tem atraído o interesse de milhares de brasileiros que anseiam por maior liberdade. No entanto, nem todas as empresas têm condições ou estão preparadas para aderir a esse modelo e é onde começam os desafios, sobretudo, no que envolve controle e resultados.


Entre as principais dificuldades enfrentadas no trabalho flexível, estão:

  • estabelecimento e manutenção de uma rotina;

  • permanência de talentos;

  • combate à procrastinação;

  • encerramento da jornada de trabalho;

  • equilíbrio real entre vida pessoal e vida profissional;

  • estímulo à produtividade;

  • comunicação clara e objetiva;

  • controle da jornada de trabalho flexível.

Para empresas que ainda não aderiram ao modelo, promover a flexibilidade de trabalho demanda reformulação da cultura organizacional e preparação de líderes. Além disso, é preciso pensar na estrutura fora do ambiente de trabalho, para que os colaboradores tenham condições de executar suas atividades, cumprir prazos e serem produtivos.


Benefícios do trabalho flexível para empresas e colaboradores

O trabalho flexível é um formato que, quando bem implementado, embora com expectativas e perspectivas distintas, é capaz de trazer vantagens significativas para todas as partes envolvidas.


Aumento da produtividade

Profissionais com liberdade e autonomia tendem a se sentir mais engajados, motivados e estimulados ao trabalho. O fato de não ter que enfrentar trânsito ou ficar preso em uma carga-horária padrão, que pode não fazer sentido para a realidade de algumas pessoas, gera satisfação, maior dedicação às atividades e entregas mais eficazes.


Redução do absenteísmo

Ressaltamos também o aumento da qualidade de vida para quem não precisa enfrentar o rigor de um horário fechado ou perder horas no ir e vir para a empresa. Com isso, os atrasos e ausências decorrentes de males e doenças associadas à falta de tempo para a vida pessoal ou a uma rotina estressante são reduzidos.


Melhoria na reputação da marca

As políticas flexíveis com foco na satisfação e bem-estar dos colaboradores mostram que a empresa se preocupa com seus funcionários de maneira holística, enxergando-os como indivíduos para além do trabalho.

Uma conduta que traz um reconhecimento da marca como um bom lugar para se trabalhar, atraindo não só os melhores talentos, como novas oportunidades de negócio.


Equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Muitos profissionais fazem da carreira sua meta de vida e se esquecem de dedicar tempo aos amigos e à família. Em algum momento pode ser que esse aspecto da vida comece a demandar atenção e prioridade.


O trabalho flexível permite a reflexão e readequação dos horários para equalizar a importância tanto do trabalho quanto dos compromissos sociais. Uma adaptação necessária para uma vida mais leve e maior disposição para o trabalho.


Diminuição do turnover

Para os profissionais mais talentosos e que prezam pela qualidade de vida, ter um bom salário e benefícios já não é o suficiente para se manter fiel a uma empresa. E sabemos que uma rotatividade alta não só compromete os resultados, como fere a imagem da empresa.


O trabalho flexível proporciona benefícios intangíveis, sobretudo, no tempo de qualidade direcionado à vida. Um colaborador que tem a liberdade de escolha sobre sua jornada, rotina e carreira, para além da remuneração e emprego, pode se sentir menos inclinado a buscar ou até mesmo aceitar uma proposta para mudar de empresa.


Iniciativas para promover a flexibilidade de trabalho nas empresas

Promover e instituir o trabalho flexível na empresa pode ser um desafio, mas também uma oportunidade de crescimento e visibilidade. Empresas dispostas a mudar para incorporar o novo, caminham um passo à frente da concorrência e entram em vantagem competitiva.


Veja algumas iniciativas que viabilizam a flexibilidade de trabalho e se mostram eficazes na atração, retenção e fidelização de talentos.


Carga horária flexível

Sem hora marcada para início e término da jornada, essa pode ser uma das alternativas de implementação da flexibilidade no trabalho. O colaborador deve saber sua demanda e prazos de conclusão, pois assim consegue gerenciar o próprio tempo, se organizar, conciliar os compromissos pessoais e de trabalho, sem afetar o cronograma e resultados.


Benefícios flexíveis

Por benefícios flexíveis entende-se aqueles que não são obrigatórios e previstos por lei e que fazem total diferença na vida dos colaboradores, que podem escolher o que é mais vantajoso e útil. Enquanto para uns receber vale-refeição ou alimentação é mais importante, para outros, o auxílio-creche, previdência privada ou vale-cultura são mais atrativos.


Trabalho híbrido e/ou anywhere office

A possibilidade de se dividir ao longo da semana entre trabalhar parte dentro da empresa e parte fora dela é um modelo que pode dar certo em muitas relações de trabalho. A jornada híbrida, acordada entre as partes, favorece as relações interpessoais, o alinhamento da comunicação e a proximidade entre líderes e liderados.


Existe também a possibilidade de adotar um formato 100% remoto, o que dá ainda mais flexibilidade para as pessoas trabalharem de onde quiserem: em casa, coworkings, cafés ou até mesmo viajando. Segundo a pesquisa “O Trabalho Ideal”, mais de 50% das pessoas gostaria de trabalhar no formato híbrido, apesar de somente 32,8% estarem nesse modelo. Em segundo lugar, com 31% de interesse, está o formato remoto.


Esse formato, quando adotado, dá ainda mais flexibilidade para as pessoas trabalharem de onde quiserem. A jornada pode ser cumprida em casa, em coworkings, cafés ou até mesmo em viagens.


“Independentemente do formato de trabalho - remoto, híbrido ou presencial -, quando a cultura organizacional é sólida, a distância não é um problema.” - Ruy Shiozawa, CEO e Co-fundador do Ecossistema Great People & GPTW”

Jornada reduzida

Ter a jornada reduzida e acordada previamente permite que profissionais possam comparecer a eventos escolares dos filhos, por exemplo, manter os cuidados médicos preventivos em dia ou qualquer atividade que demande disponibilidade de tempo e horário sem, contudo, comprometer as entregas.


Gestão horizontal

Em um tempo remoto, a gestão verticalizada predominava como sinônimo de produtividade e resultados no melhor formato “eu mando e você obedece”. Acontece que esse modelo dificilmente consegue emplacar no trabalho flexível, já que a gestão é feita à distância.


Com isso, implementar uma estrutura mais horizontal na relação entre líderes e liderados também é um caminho para uma flexibilidade de trabalho saudável. Nesse contexto, os colaboradores podem ser envolvidos e chamados a participar das decisões com sugestões, opiniões, ou seja, serem mais autônomos, fazendo com que se sintam valorizados e mais pertencentes.


Analisando as últimas pesquisas e tendências do mercado, podemos dizer que o futuro do trabalho é flexível e para isso, é fundamental rever as práticas, as normas e políticas para adequar a esse novo universo.


Além da autonomia, é preciso confiar na equipe, capacitar os líderes, cuidar da saúde mental das pessoas, e investir em um ambiente saudável e colaborativo, para que, mesmo distantes, cada pessoa esteja presente e alinhada com a cultura e objetivos da empresa.


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